Oi!
Desde já, peço desculpas aos leitores pelo texto exageradamente longo. Mas talvez, o assunto em pauta mereça tal dedicação. Tanto minha ao escrever, quando sua ao ler.
Ontem, 15 de abril de 2015, minha irmã, Daniella, trabalhou normalmente na Scrap Spot. Quem a conhece, sabe que ela atende a todos com carinho e dedicação.
Mas talvez, mesmo quem nos conhece, não sabe sua história de luta contra o câncer.
Dan teve, há quase 3 anos, um melanoma cruel. Reconhecemos um milagre de Deus tanto por ela estar viva, quanto com seus braços no lugar. Artista plástica que é, como seria viver sem o braço direito?
Sei que Deus supriria, assim como supre, nossas necessidades diárias. Mas é motivo de muita alegria e gratidão dizer que ela está bem.
No entanto, a doença é avassaladora. Se não leva a vida, deixa nela marcas para sempre no corpo e alma.
Dan tem o braço todo marcado, cicatrizes enormes (as melhores que os cirurgiões puderam deixar). Mas que são grandes exatamente para suportar a transformação que seu corpo teve que sofrer para estar aqui.
O câncer chegou ao osso. Foi preciso retirar literalmente, a grande porção de seu braço que carregava a doença. E para não deixar o buraco, foram feitos transplantes de pedaços de suas costas na região do braço.
Tudo isso para dizer que... sim. Seu braço é diferente. Pode até chamar a sua atenção quando a vê.
...
Ontem, uma cliente e sua filha (de uns 12 anos talvez) foram atendidas pela Dan.
A Dan de sempre, prestativa, competente, que sabe o que está falando e não reserva segredos.
Num esforço que ninguém faz conta, Dan estendeu seu braço para pegar algo que a cliente queria ver e estava na prateleira do alto.
Bem... isso em si já é muito legal, porque ela recuperou muito os movimentos de um braço "perdido".
Mas a pré-adolescente, talvez num ato de desinformação, falta de educação e preconceito, ao ver as cicatrizes da Dan, recuou defendendo-se com os braços no peito e exclamou "Que nojo! Que aflição!".
A mãe... nada disse.
A Dan... nada disse. Recolheu-se sem ação por não ter, até então, enfrentado tamanho desrespeito.
Mas à noite, ao chegar em casa, derramou mais uma tonelada de lágrimas. Além de todas as que a doença e todo esse processo já levaram.
Ok. O braço chama a atenção. Somos humanos, tendemos a estranhar aquilo que não nos é familiar.
E também ok que representamos uma loja e devemos atender bem aos clientes.
Mas NÃO ok agir dessa forma. NÃO ok uma mãe nada dizer para ensinar à sua filha, no mínimo, a dar o respeito que TODO MUNDO MERECE.
Assim, fica aqui registrado que, caso sejam identificadas e retornem à loja, nos reservaremos o direito de não atendê-las. Pela ofensa, pela discriminação e pela falta de educação. Para não continuar com a lista de adjetivos que ações preconceituosas como essas merecem.
Se você concorda, nos ajude a divulgar e compartilhe essa nota.
Se você não concorda, tudo bem. E só.
E se quem agiu dessa maneira chegar a ler essa mensagem, no mínimo você pode pedir desculpas. E ponderar melhor suas palavras. Ditas e não ditas.
Um abraço,
Sim... um abraço. Meu e da Dan. Com nossos braços como são. Porque a gente pode abraçar com o braço e com o coração. E este é mais importante.
Cin
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Também carrego minha marca do câncer. Em homenagem à Dan e a todos que passam por ele. Com amor |